Banco em Timor-Leste dá a Geocapital presença quase total no sector financeiro dos países de língua portuguesa
[ 2010-07-26
]
Macau, China, 26 Jul. - A Geocapital, sociedade gestora de participações sociais ligada ao magnata do jogo de Macau Stanley Ho, está prestes a iniciar operações na banca de Timor-Leste, passando a estar presente nos mercados financeiros de quase todos os países de língua portuguesa.
O novo Banco Timorense de Investimento, cujo pedido de abertura já foi apresentado à autoridade bancária do país, está prestes a ser autorizado, segundo avançou na semana passada a newsletter África Monitor.
O financiamento de projectos de infra-estruturas será a prioridade da nova instituição bancária, ainda de acordo com a mesma fonte.
“Fica, assim, praticamente completo o plano [da Geocapital] para se implantar no sector financeiro em todos os países de língua portuguesa”, escreve a publicação.
São Tomé e Príncipe, país com o qual a China não tem relações diplomáticas, mas onde já operam algumas empresas chinesas, é a excepção.
A África Monitor adiantou também que, na fase inicial da nova instituição financeira timorense, a Geocapital controlará quase integralmente o novo banco, mas está prevista uma futura entrada de accionistas locais.
Em declarações recentes, Diogo Lacerda Machado, administrador da Geocapital, estimou entre quatro a seis milhões de euros o investimento necessário à criação do banco timorense.
Timor-Leste tem actualmente três bancos comerciais: o português Caixa Geral de Depósitos, o indonésio Mandiri e o australiano-neo-zelandês ANZ.
Com um capital social de cerca de 10 milhões de euros, a Geocapital tem como principais accionistas Stanley Ho e o empresário português Jorge Ferro Ribeiro.
A Geocapital é um projecto que teve como ideia inspiradora o conceito político/estratégico de Macau como “plataforma privilegiada” nas relações entre a China e os países de língua portuguesa, segundo o presidente executivo Jorge Ferro Ribeiro.
Numa primeira fase, está a investir no sector da banca em todos os países de língua portuguesa para ter um “posicionamento institucional nesses países” e também “conhecimento privilegiado da realidade empresarial e da realidade económica dos países”, adiantou.
Em perspectiva está também um reforço da presença em Macau, de acordo com Ferro Ribeiro.
A Geocapital está também presente no sector financeiro de Moçambique (Moza Banco), Guiné-Bissau (Banco da África Ocidental) e Angola.
No final de 2008, foi anunciada a parceria entre a Geocapital e a petrolífera estatal angolana Sonangol - a Geopactum no âmbito da qual Ho e Ferro Ribeiro entram no Banco Privado Atlântico (BPA).
Esta parceria acaba por ter implicações na gestão do maior banco privado português, Millennium bcp, uma vez que os angolanos detêm 10 por cento do capital e Stanley Ho cerca de 3 por cento, tornando-se a principal força dentro do Conselho de Administração.
No final do ano passado, a Geocapital passou a ser o maior accionista privado da Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), ao comprar 27,41 por cento do capital social do banco ao grupo mutualista português Caixa Económica Montepio Geral.
O governo de Cabo Verde e a Geocapital assinaram em Maio do ano passado um acordo para a criação de um Centro Internacional de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico dedicado aos biocombustíveis.
Depois do sector financeiro e das energias renováveis, as infra-estruturas deverão ser o próximo foco de investimento, segundo o grupo. (macauhub)